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id da página: 8044 Henry Corbin A IMAGINAÇÃO CRIADORA NO SUFISMO DE IBN ARABI Henry Corbin

Corbin Dialética de Amor

A Dialética de Amor

De todos os mestres do sufismo, Ibn Arabi é (com Ruzbehan de Shiraz) um daqueles que levaram mais longe a análise dos fenômenos do amor; pôs em obra uma dialética muito pessoal, eminentemente própria a nos fazer descobrir qual é o deleite da devoção total professada pelos «Fiéis do Amor». Do que aqui esboçamos, surge a questão: Que é então amar a Deus? E como é possível amar a Deus? Eis expressões que a língua religiosa emprega primeiramente como se se tratasse de evidências óbvias. Ora, não é tão simples, Ibn Arabi nos faz progredir por uma dupla constatação: «Eu atesto Deus, escreve, se permanecêssemos só nos argumentos racionais da filosofia, os quais, se nos fazem conhecer a Essência divina, não o fazem senão de uma maneira negativa, é certo que nenhuma criatura jamais experimentou amor por Deus... A religião positiva nos ensina que ele é isto e aquilo; estes são atributos cujas aparências exotéricas são absurdas pela razão filosófica, e no entanto é por causa destes atributos positivos que o amamos». De acordo com isso, incumbe à religião nos dizer: Nada lhe assemelha. Mas por outro lado, Deus não pode nos ser conhecido senão nisto que experimentamos dele, de sorte que «pudéssemos o tipificar e o tomar como objeto de nossa contemplação, assim como no íntimo de nossos corações como diante de nossos olhos e em nossa imaginação, como se o víssemos, ou melhor dito, de tal sorte que o víssemos realmente... Ele é aquele que em cada ser amado se manifesta a respeito de cada amante.... de maneira que nenhum outro que ele não é adorado, pois é impossível adorar um ser sem se representar nela a divindade... Assim ocorre com o amor: um ser não ama em realidade nenhum outro que seu criador». A própria vida de Ibn Arabi nos fornece sobre todos estes pontos o penhor de uma experiência pessoal.

Excertos: